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Neste momento, são exatamente 15h, e a nova cliente ainda não chegou. Fico à porta, à espera, e ao longe vejo uma jovem a proteger-se atrás de um carro, o que desperta o meu interesse. Observo para tentar perceber o que se passa, questionando-me se será a cliente. Nesse instante, o telemóvel toca. Atendo e ouço do outro lado:
— Olá, boa tarde, tenho uma consulta agora à s 15h, mas não sei se estou no sÃtio certo.
O que me intriga ainda mais é que vejo, do outro lado da rua, alguém ao telemóvel, mas pode ser apenas coincidência. Pergunto:
— A senhora está do outro lado do consultório a ligar-me?
— Não sei, estou num local a procurar o número da porta, mas não sei se é aqui.
— Olhe para o outro lado — digo, enquanto levanto a mão para sinalizar.
A senhora olha na direção indicada, dá um passo em frente e volta para se esconder atrás do carro.
— Desculpe, não consigo ir até aÃ.
— Mas precisa de ajuda? — questiono, intrigado.
— Sim, tem um gato à frente da porta, e eu não consigo passar. Tem gatos no consultório?
— Não tenho gatos no consultório. No entanto, se tem aà um gato, deve ser um dos gatos vadios da zona.
— Sim, mas ajude-me, não consigo entrar.
Não me sinto particularmente confortável em ir “enxotar” o gato, mas lá vou descendo em direção à porta do consultório. Ao chegar, o gato vê-me e foge, um comportamento natural para um gato que não me conhece.
— Pode vir, o gato já foi — digo ao telemóvel.
— Não desligue até eu chegar aà — responde, agarrada a todos os seus pertences.
Quando chega junto à porta, começa a correr e sobe as escadas como se estivesse a fugir de algo muito perigoso, o que aumenta ainda mais a minha curiosidade.
— Deixe-me entrar e feche a porta, por favor.
Fecho a porta, ainda que momentaneamente, sabendo que outros clientes virão para a consulta da minha colega e que terei de a reabrir. Para aliviar a tensão, convido-a a entrar diretamente no consultório, e assim que entra, começa a olhar para todos os cantos e pergunta se tenho as janelas fechadas.
— Não tenho nenhum gato escondido — digo, brincando.
A senhora senta-se, ajusta-se na poltrona com movimentos bruscos, como se ainda verificasse a ausência de perigo. Confesso que situações destas são desafiantes, mas mantenho-me focado e organizado, lembrando-me de que, para mim, isto é novidade, mas para esta cliente, talvez seja o seu quotidiano.
Depois das perguntas iniciais para recolher os dados necessários, vou direto à questão central:
— VirgÃnia, em que é que a posso ajudar?
— Tenho medos, ansiedades — diz de forma abrupta.
— E quando fala em medo, a que é que se refere, que tipo de situações ou momentos lhe provocam maior medo?
— Tudo, tenho medo de pensar no que me pode acontecer, principalmente com animais.
— O que é, em especial, com os animais que lhe provoca esse medo?
— Não sei… tudo, o toque, o pelo.. Nunca se sabe o que é que eles podem fazer.
Agora, faço uma ligeira provocação, algo habitual neste tipo de cliente: — VirgÃnia, interessante que, mesmo com esse medo, conseguiu vir a uma consulta de hipnose, a um local desconhecido, com uma pessoa desconhecida, numa sala fechada, com um homem.
A VirgÃnia dá um sorriso e diz: — Mas o Jonas não me é desconhecido, já o sigo há muito tempo.
— Como assim, segue-me?
— Nas redes sociais, já o sigo há muitos anos, e já vi muitos comentários sobre si. Já andei a ver as suas páginas e os cursos que dá, e já passei várias vezes aqui à porta para ver o ambiente e para ver se isto é mesmo real ou um esquema da internet.
Faço por não parecer assustado!
— Está bem, VirgÃnia, já percebi que tem tudo controlado.
— Quase.
— VirgÃnia, já que surgiu a situação lá fora, podemos começar com o medo sobre os animais?
— Sim, mas já lhe posso adiantar que nunca tive animais em criança, nunca fui mordida por nenhum animal, por isso não me lembro de nenhum momento que possa justificar o que sinto por eles, principalmente cães e gatos.
— Não tem mal — digo, embora atento à possibilidade da VirgÃnia ter um controlo excessivo sobre o processo.
— VirgÃnia, não tem mal ser como é…
— Como assim, como sou, como é que eu sou? — pergunta a VirgÃnia, sem me deixar concluir a frase.
Dou um sorriso e continuo: — De ser uma pessoa muito mental e ter a necessidade de controlar tudo.
— E mais lhe digo que não sou boa a relaxar, nem a imaginar, nem consigo fazer nenhum tipo de exercÃcio de meditação.
— Não faz mal, não vamos fazer nenhum tipo de meditação, e sobre imaginar, em vez de imaginar, vamos apenas pensar. Por exemplo, pense que tem um gato atrás de si.
A VirgÃnia dá um salto na poltrona e vira-se para trás repentinamente.
— Ai, que susto que me deu!
— Pois é, VirgÃnia, para quem diz que não imagina nada, até que reage bem à s “imaginações”.
Aproveito o momento de desorganização dela e avanço, colocando-me à frente da poltrona.
— Olhe aqui para a minha mão, feche os olhos… abra os olhos… feche os olhos…
Logo de seguida, ela abre os olhos.
— VirgÃnia, não lhe pedi para abrir os olhos — e ela fecha-os imediatamente, com mais força.
Estes exercÃcios servem para ajudá-la a perder a necessidade de controlo através de confusão mental. Mesmo sabendo que a VirgÃnia estará sempre a controlar o processo, aproveito alguns momentos para induzi-la ao estado necessário para começar a explorar a possÃvel origem deste conflito.
Para esta cliente, o processo de indução dura alguns minutos. Preciso de alternar vários exercÃcios, para que ela não consiga antecipar o que estou a fazer.
Passado algum tempo, a VirgÃnia começa a mostrar movimentos mais lentos, os olhos pesados, e pergunta se pode fechá-los, ao que sugiro que sim, que pode fechar os olhos e aprofundar-se ainda mais, pelo que imediatamente digo:
— Nesse seu aprofundamento, é como se lhe viesse à cabeça a sensação ou o pensamento de que existe algo muito profundo, muito antigo, algo relacionado com o toque ou a proximidade de algo que a incomoda. Algo tão profundo, gravado na sua mente inconsciente, uma informação tão intensa que, mesmo difusa, começa a construir-se numa história. É como se…?
— É como se estivesse numa floresta — diz a VirgÃnia, com um ar confuso.
— E nessa floresta, é como se essa pessoa estivesse vestida de quê?
— É como se estivesse vestida com roupas simples.
— E o que é que parece que lhe vem à cabeça que está a acontecer com essa pessoa?
— Parece-me que essa pessoa está perdida.
— E ao ter a ideia de que essa pessoa parece estar perdida, como é que isso a faz sentir?
— Eu ou ela? — questiona a VirgÃnia.
— O que quiser.
— Eu estou assustada e confusa.
— E essa pessoa de roupas simples na floresta, como é que acha que ela se sente?
— Está assustada e confusa.
— Então, avance até ao momento em que algo muito impactante acontece a essa pessoa, algo tão profundo que provoca uma mudança — digo em voz grave e intensa.
— Ai, credo, está a ser atacada por cães selvagens!
— O que é que ela faz?
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